22 de Novembro de 2009

Final de tarde, hoje, em Castelo Branco

21 de Novembro de 2009

Onde estão os alunos, pais e professores do Conservatório?

Ontem, tocou em Castelo Branco uma das melhores orquestras portuguesas (para muitos, a melhor). A quantidade de pessoas presentes no concerto pela Orquestra Nacional do Porto foi aceitável mas longe da desejável. O que me surpreendeu pouco foi a quase ausência de alunos, pais e professores do Conservatório Regional de Castelo Branco. Quando uma formação destas toca no principal auditório da cidade, com ampla divulgação (nomeadamente na referida escola) e se verifica que nem meia dúzia aparecem alguma coisa de grave se está a passar. Não é um fenómeno recente e daí a minha ausência de surpresa. Já no Primavera Musical se verifica que, desde há alguns anos, o núcleo mais fiel ao festival não é um público relacionado com o Conservatório. Este facto devia ser algo que fizesse reflectir a direcção e professores desta instituição.
Sei, por exemplo, que um professor foi à aula de Orquestra e chamou à atenção dos alunos para o facto de assistir a este concerto ser igualmente importante para a sua formação. Logo se sentiu a falta de empatia com a ideia. Tratava-se de alunos de cordas, um público claramente potencial para ouvir a Orquestra Nacional do Porto. Como se sabe, grande parte dos instrumentistas de uma orquestra com estas características, tocam violino, viola, violoncelo e contrabaixo e até tinhamos solistas exactamente em instrumentos de corda.

Uma das funções de um Conservatório é, também, contribuir para a criação e formação de públicos e é essa responsabilidade que terá de ser assumida de uma forma clara, algo que não está a acontecer.

15 de Novembro de 2009

4 semanas

Continua o tempo de mudança vertiginosa. Para quem ainda não deu conta, informo que acabo de assumir o papel de programador cultural no Concelho de Castelo Branco e essa é a principal razão pela qual tão pouco tenho escrito aqui no Cerro da Cardosa.

Nas últimas duas semanas passei pelas inaugurações de três exposições em locais distintos da cidade e penso que valerá bem a pena reservar uma tarde para passar pelas três. Começo pela colectiva que se encontra na Sala da Nora, ela mesmo uma metáfora do que tem sido a "programação" deste espaço: convivem, lado a lado, obras maiores com peças quase indigentes. Esta exposição intitula-se "Ética, A Vida (N)A Morte" e está patente até 28 de Novembro. Inclui obras de Manuel Cargaleiro, Costa Camelo, José Simão, Cristina Ataíde, Indian Espadanal, Frade Correia, entre outros. Mais uma vez as limitações da Sala da Nora, no que diz respeito à iluminação e à flexibilidade do espaço, estão bem à vista de todos. Este é mais um dos desafios que tenho pela frente. Não vai ser fácil mudar muito nos próximos tempos pois encontrei exposições marcadas até final de Julho de 2010.

Manuela Justino cartografou chafarizes e pontos de água, em Castelo Branco e o resultado desse trabalho, também fotográfico, está patente no Museu de Francisco Tavares Proença Júnior, até 27 de Dezembro. Sopro de Água não é apenas uma exposição, assume-se como um projecto de revitalização dos chafarizes da cidade, sugerindo a criação de roteiros, a recuperação dos espaços, a reparação das fontes e a criação de um circuito com actividades culturais associadas aos espaços, em alguns dos casos, abandonados.

Na Galeria 102-100, na Rua de S. Maria, foi inaugurada uma exposição notável de Rui Sanches. Esta galeria tem apostado numa excelente programação e só mesmo por falta de conhecimento se pode dizer que não há boas possibilidades de contactar com a arte contemporânea em Castelo Branco. Para quem não sabe onde fica, basta pensar no Largo de Camões (Arquivo Distrital, Casa do Arco, Celeiro dos Templários, antiga Biblioteca) e seguir em direcção à capela do Espírito Santo. A galeria encontra-se do lado esquerdo.

5 de Novembro de 2009

Temos de estar preparados para tudo!

22 de Outubro de 2009

Ministra da Cultura

Já temos novo ministro da cultura, neste caso, nova ministra. Trata-se da pianista Gabriela Canavilhas, uma escolha que se me afigura excelente. Desejo-lhe toda a sorte e partilho a curiosidade de ela ter passado aqui por Castelo Branco, há uns bons 25 anos.

20 de Outubro de 2009

Uma boa parte da noite de hoje...

...à volta destas maravilhas. Giotto, Catedrais e outras preciosidades.

18 de Outubro de 2009

Últimos dias

Este foi o final de tarde de domingo, em Castelo Branco.
Na sexta-feira ouvi a Orquestra da ESART, num programa Mozart e Mendelsohn. Muitas mudanças no grupo e um repertório arriscado acabaram por resultar num concerto muito diferente do que foi oferecido em Junho, no Primavera Musical. Infelizmente, para pior. Esta fórmula de 3/4 estágios ao longo do ano tem-se revelado pouco útil, pelo menos em termos da manutenção de um padrão qualitativo minimamente estável. Um dos motivos será a mobilidade de alunos, que entram e saiem pela natureza do seu percurso académico, mas não será o único nem o mais importante.
Acredito que se houver um trabalho regular orquestral, com um maestro permanente, os resultados melhorarão a olhos vistos. Outro ponto é o repertório que, por vezes, obriga a correr imensos riscos. Foi o caso.
Ontem, escutei pela primeira vez o grupo Atlanthida, no encerramento do festival Entrelaços. Penso que é um grupo ainda à procura de uma identidade. Por exemplo, a voz leva-nos constantemente para um território próximo do fado, mesmo quando a melodia, a rítmica e os arranjos instrumentais pedem outra abordagem. Para os apreciadores do género, deverá ser um grupo a seguir atentamente. Não quero deixar de dar, mais uma vez, os parabéns ao Musicalbi pelo excelente trabalho que vem realizando, com este festival.

A absoluta falta de tempo impossibilitaram-me de comentar uma exposição que se esteve patente na Casa do Arco, na Praça de Camões. Retrato (s) de um Quotidiano foi o resultado de um projecto desenvolvido, na CIJE pelo Movimento de Expressão Fotográfica. O conjunto emocionante de fotografias merecia uma visita e tenho pena de não ter conseguido aqui colocar uma referência mais cedo.

17 de Outubro de 2009

Final de tarde, hoje, em Castelo Branco

11 de Outubro de 2009

Benjamin Zander - Música e Paixão



É sempre bom rever este video. Várias lições em 20 minutos.

4 de Outubro de 2009

Fim-de-semana em Castelo Branco

Na sexta-feira, dei um pulo à Biblioteca, na qual a Associação (Elemento) Indesejado (EI) apresentava uma sessão das Curtas em Flagrante, um projecto que percorre o país, mostrando produção video independente e low cost. Um dos primeiros pormenores que gostava de realçar é o facto de o espaço polivalente/auditório da Biblioteca Municipal de Castelo Branco, de noite, permitir desfrutar o bonito espaço circundante. A ideia da EI é muito interessante. Em primeiro lugar porque permite que muitos filmes cheguem a um público muito mais vasto e diversificado e, também, porque pode tornar-se um ponto de encontro entre criadores, actores, responsáveis pela fotografia, etc.
No caso de Castelo Branco assisti a meia dúzia de produções desiguais. Dos trabalhos a roçar a indigência ao nível da narrativa, montagem e representação até às boas ideias, aqui e ali muito bem concretizadas. Seria interessante alimentar algum tipo de debate sobre o que se acabou de ver e ouvir e, se possível, procurar que pessoas envolvidas na criação dos filmes estivessem presentes para que se pudesse enriquecer a discussão.
Um projecto a seguir, sem qualquer dúvida.

Ontem fui assistir ao primeiro concerto do festival Entrelaços, organizado pelo Musicalbi. Pouca gente no Cine-Teatro Avenida (bilhetes a 5 euros serão caros?????? Não me parece...) para ouvir um excelente músico, Bilan seu nome. Uma música que bebe inspiração em múltiplas referências, desde a tradiçãp cabo-verdiana, até outras paragens da lusofonia, sobretudo o Brasil e Portugal. Poderia ter sido um concerto perto do excepcional. Mas não foi e sabem porquê? Mais uma vez, por causa do som amplificado. Desta feita, o sistema usado não foi o da sala de espectáculos. Quando o concerto se iniciou rapidamente se percebeu que se por um lado o volume era despropositadamente alto (uma intensidade sonora que feria os ouvidos), por outro, o som estava totalmente desequilibrado, com instrumentos que se destacavam e abafavam completamente o refinamento que, por exemplo, o percussionista parecia exibir. Digo parecia, porque realmente não se ouvia muito do que ele fazia. Algumas pessoas sairam da sala, ao que tudo indica, incomodadas pelo volume sonoro. Uma pena.
Penso que todo o cuidado deve ser colocado no espectáculo dos Dazkarieh (naturalmente com um som bem mais "espesso"), para que este problema não volte a massacrar o público.

1 de Outubro de 2009

Intermitências continuam





É indesmentível que é por uma boa causa. Tenho andado um pouco arredado destas andanças blogueiras, mas tudo irá voltar a uma certa normalidade. A causa é boa e irá ser tornada pública dentro de pouco tempo. Entretanto, fui à inauguração do Museu de Artes e Ofícios de Alcains e é sempre emocionante quando verificamos que um conjunto pequeno, mas habilitado, de pessoas se dedica a reconstruir um pouco da memória colectiva e lhe tenta dar uma forma. Notável, também, o número de pessoas que doaram peças, ferramentas, utensílios vitais, esses pedaços de vida, por onde mãos de homem e mulher passaram, cumprindo os rituais do dia-a-dia, no último século.
Não é um espaço isento de problemas, mas quero acreditar que ao longo do tempo, as pequenas imprecisões, os detalhes ao nível da relação entre alguns elementos arquitectónicos e o lado expositivo, serão corrigidos e melhorados.
Para o cidadão, estejam atentos, numa próxima visita a Alcains e passem pelo Museu do Canteiro e por este, recentemente inaugurado. São 5 minutos a pé, de um ao outro, mas garanto-vos uma viagem no tempo de dezenas de anos.

Começa, no sábado, o festival do Musicalbi, um caminho cumprido já de 10 anos e que continua a apresentar um programa que deve merecer a resposta massiva dos que gostam de música tradicional. Parabéns Musicalbi e, já agora, também pessoalizando, para se ser justo, ao Carlos Salvado. Deixo uma nota que a organização me enviou e o programa:

Numa organização do grupo albicastrense MUSICALBI, o Entrelaços é sem dúvida um Festival de referência dentro da chamada World Music, não só na região como a nível nacional. Já na sua 10ª edição, o Festival prima à semelhança de anos transactos não pela quantidade de grupos, mas pela sua qualidade e diversidade de estilos e culturas.

PROGRAMA
Dia 3 de Outubro
BILAN (Cabo Verde)
A sua música pode ser enquadrada numa perspectiva mais cosmopolita e urbana da música cabo-verdiana.

Dia 10 de Outubro
DAZKARIEH
No ano que completam 10 anos, os Dazkarieh voltam a Portugal, e ao Festival Entrelaços, depois de terem passado pela Alemanha, Áustria, Espanha e Malásia numa série de concertos de apresentação do novo trabalho discográfico, “Hemisférios”.

Dia 17 de Outubro
ATLANTIHDA
Pela Palavra, uma abordagem autêntica à música portuguesa e ao cruzamento dessa com outras músicas do mundo. A sua formação inclui voz, duas guitarras, baixo acústico, violoncelo, acordeão e, pontualmente, outros instrumentos portugueses, como a viola braguesa e o adufe.
Nas fotos, a primeira é de Bilan, o protagonista do primeiro concerto do Entrelaços e, as seguintes, são de pormenores do Museu das Artes e Ofícios de Alcains.

28 de Setembro de 2009

Hoje, concerto no Governo Civil

A ANTENA 2 está a promover uma Integral dos Quartetos de Corda de Joseph Haydn. Hoje é a vez de Castelo Branco. O Quarteto Lacerda (na foto) apresentar-se-á no Governo Civil de Castelo Branco a partir das 21h30.
A entrada é gratuita e o programa será o seguinte:

Quarteto em dó maior, Op.1 Nº6
Quarteto em sol maior, Op.17 Nº5
- Intervalo –
Quarteto em si bemol maior, Op.50 Nº1

Sobre o agrupamento:
Quarteto Lacerda
Fundado em 1990, o Quarteto Lacerda é um dos principais quartetos de cordas portugueses. Além do grande reportório, com especial ênfase em Haydn, Mozart e Beethoven, o grupo dedica muita da sua atenção a obras-primas do reportório português, nomeadamente de Viana da Mota, Luís de Freitas Branco, Francisco de Lacerda e João Pedro Oliveira. Tem actuado nos principais festivais e salas do país, bem como em Espanha, Inglaterra, França e Itália.
Durante 2009, o Quarteto Lacerda vai participar num projecto único que consiste em tocar metade da integral dos quartetos de Haydn no âmbito da evocação dos 200 anos da morte do compositor em concertos transmitidos pela Antena 2.

21 de Setembro de 2009

Fim-de-semana




Na sexta-feira, fui ao concerto (Cine-Teatro Avenida) dedicado a Tom Jobim, pela Joana Machado e quarteto. Pouco público, um som muito fraco e um alinhamento que só aqui e ali conseguiu animar a alma, é um resumo eventualmente injusto para o grupo, que conta com excelentes músicos, mas é o que se arranja. Dos três pontos gostava de referir que o sistema de som do Cine-Teatro precisa de uma renovação total. É raro o espectáculo que se consegue fazer decentemente com aquele equipamento, acarretando custos acrescidos, ao exigir aluguer a empresas especializadas. Outro aspecto curioso é o facto de luz (projectores de palco) ter uns apagões regulares. A razão é técnica, pois os dimmers já não estão em condições, o que pode, em casos extremos, provocar o sobreaquecimento dos mesmos e...pois, isso mesmo, podem incendiar-se. Solução? Comprar uns novos. :-)

No sábado foi com imenso gosto que fui até Alcains, para assistir à inauguração da restrospectiva do trabalho fotográfico de Carlos Matos, uma exposição que merece uma visita atenta e que mereceria um catálogo e textos que contextualizassem o trabalho de 20 anos. Gostaria de ter visto mais trabalhos da fase inicial, dos primeiros anos, de 1989 a 2005, pois é sempre interessante ver nestes estágios da produção artística, as sementes do trabalho mais maduro.
Algumas novidades, algumas fotos que não conhecia e um olhar sempre refinado. Muitos parabéns caro Carlos!

Final de tarde, hoje, em Castelo Branco

Estes dias têm sido curtos. Imenso trabalho e a alucinação da campanha eleitoral, dos casos que diariamente assolam os media e muitas incertezas sobre como tudo isto acabará.
É sempre bom ter tempo e disponibilidade para olhar o final de tarde, a partir da minha varanda. Também passei pela inauguração da exposição do Carlos Matos, no sábado passado e no concerto de Joana Machado, no dia anterior. Daqui a pouco, uma curta reportagem fotográfica da exposição patente no Museu do Canteiro desde sábado.

20 de Setembro de 2009

Final de tarde, hoje, em Castelo Branco

18 de Setembro de 2009

Intermitências

Realmente não tem sido fácil vir até ao Cerro da Cardosa e actualizar a paisagem. Polémica quanto à peça oferecida pelo arquitecto José Manuel Castanheira, O Voo da Cegonha. Veja-se aqui e aqui. Recordo-me de ver a peça em frente ao NERCAB, por ocasião de uma Feira. Nunca mais soube dela. Pelo que veio a público, a mesma encontra-se nos estaleiros da Câmara Municipal de Castelo Branco, abandonada. Vou informar-me o mais possível e voltarei a este assunto, aqui mesmo. Na foto, a peça, durante a EXPO98.

Outro assunto é a Stairway to Heaven, de Didier Fiúza Faustino, obra prémio Tabaqueira em 2001, que se encontra na Devesa. O Bloco de Esquerda terá sugerido a sua remoção do local e nesta semana, no semanário Reconquista, Leonel Azevedo (LA) escreve uma longa carta sobre o assunto. Não precisava LA de se alongar desta forma (vai afastar da leitura a maior parte dos clientes do jornal). O essencial é que a partir do momento no qual se coloca uma obra de arte num espaço público, ela fica sujeita ao escrutínio geral e às diversas leituras, venham elas de quem vierem (de doutorados em arte ou de um amolador de tesouras). É fundamental assegurar que a obra está instalada exactamente como o autor o desejou (p.e. há quem diga que a obra está incompleta, nem que seja pelo facto de não se poder aceder ao interior da mesma) e assegurar a sua manutenção. Nem de propósito, ontem, ao passar junto a ela, vi um cartaz colado no betão, virado para sul, um grave atentado, mas que parece não impressionar alguém.

Não há, como bem escreve LA, nada que informe sobre o nome e autor da obra e em momento algum se procurou criar linhas de leitura da mesma, através da sua divulgação, do seu enquadramento em acontecimentos culturais e outros. De quem é a responsabilidade? Num certo sentido, é de todos, pois teremos de ser nós, individualmente, a assumir o olhar atento e minucioso, mas há quem tenha mais responsabilidades. Desde logo, tasmbém o autor, que devia estar atento ao que se passa em torno de uma das suas obras (com a sua importância pois ganhou o já referido Prémio Tabaqueira). Há uns meses, escrevi-lhe uma mensagem via e-mail, mas ele nem me respondeu. As escolas que lidam com artes, as secundárias e superiores, pois deviam elas próprias ser um motor de leitura e discussão da peça. A Câmara Municipal, porque deverá fazer tudo ao seu alcance para que a obra seja (re)conhecida enquanto tal e dignificada.
Um assunto a acompanhar com muita atenção.